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#colunistas | Coluna de Educação por: Érica Pilom

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Educação sexual nas escolas, por que não?

Segundo as estatísticas do Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH/MMFDH), somente em 2022, até o dia 13 de maio, foram contabilizados 53,8 mil registros de denúncias de violência contra crianças e adolescentes. Destas, 7,1 mil são de violência sexual. Os números revelam ainda que a maioria das violações ocorrem na casa onde residem a vítima e o suspeito (28,4 mil).

É nesse cenário horripilante que a escola tem de exercer seu papel: auxiliar, orientar, identificar e denunciar casos de abusos sexuais. Mas, para que isso aconteça, a comunidade escola precisa entender o que é, de fato a educação sexual e sua importância.

O papel de formação aos educadores é de extrema necessidade, pois infelizmente, muitos ainda acreditam que educação sexual se trata de “ensinar a fazer sexo” ou até de “erotização infantil”.

Abordar esse tema na infância pode salvar vidas. Essa educação serve de alicerce para que as crianças possam ter uma infância mais segura e possam passar pelas outras fases da vida com mais autoestima, confiança e respeito.

Debater sobre sexualidade é falar sobre sentimentos, conhecimento do corpo, e além de aprender a se proteger em casos de abuso, os ensinam a não serem um abusador no futuro. É uma forma de garantir segurança, saúde e integridade a esses estudantes.

Dados nos mostram que na maior parte dos abusos sexuais que ocorrem em nosso país são praticados por entes da própria família e em muitas vezes com o consentimento dos de deveriam os protegerem, portanto o ambiente escolar se torna o canal mais seguro para identificar e denunciar o abuso. Vale lembrar que, segundo o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) não é necessário ter certeza para fazer uma denúncia. Qualquer suspeita deve ser encaminhada ao Conselho Tutelar.

Perante isso, a escola deve ser a rede de proteção dessas crianças. Não podemos deixar que os diversos tabus, preconceitos e a falta de diálogo contribuam para que esses estudantes fiquem vulneráveis sobre seus corpos e sexualidade. Trabalhar esse tema de forma didática e responsável significa explicar sobre privacidade, autoproteção, consentimentos e sentimentos, evitando traumas, doenças, abusos e gravidez indesejada, além de contribuir para a redução da violência doméstica e para a promoção da igualdade de gênero.

Essa educação traz muitas vantagens para todo o país. Infelizmente ainda existe resistência para trabalhar essa temática nas escolas. Mas quem teria o interesse de não ter essa educação sexual escolar? Qual a intenção de não se utilizar do palco da escola para esse fim? Será que essa resistência vem das mesmas mentes que criaram a polêmica do suposto “kit gay”?

A violência é um problema de todos nós!

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Redação: Érica Pilom Campos / Rádio TV Regional